Marcola e outros presos no DF e em SP se mobilizam contra maus-tratos e fazem greve de fome

Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e seu irmão Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, apontados como líderes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), iniciaram uma greve de fome juntamente com outros presos que estão com eles na Penitenciária Federal de Brasília. A informação é de familiares de presos.

Em sincronia com o movimento dos presos de Brasília, detentos de diversas unidades prisionais no Estado de São Paulo se recusaram a sair dos presídios para ir em fóruns durante audiências que aconteceriam ontem, quarta-feira (11).

Os presos de São Paulo teriam informado aos agentes penitenciários que a recusa era em protesto contra a manutenção de Marcola em Brasília e devido à má alimentação servida aos presos da penitenciária na capital federal.

Em fevereiro do ano passado, Marcola, Alejandro e outros 20 presos apontados pelas investigações paulistas como membros da cúpula do PCC saíram da penitenciária estadual de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, e foram para presídios federais.

Cerca de mês após a transferência, parte dos supostos líderes deixaram a Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia, e foram para a unidade de Brasília. Posteriormente, outros presos seguiram o mesmo caminho.

Segundo o familiar de um preso de Brasília, os problemas na unidade da capital federal “vai da má alimentação à falta de atendimento médico”. No caso deste preso, que sofre com uma doença intestinal, a alimentação diferenciada necessária e a medicação específica para o tratamento do problema “são negadas ou feitas de forma precária”.

O familiar afirma que nos últimos três meses, o preso já fez três greves de fome pedindo melhoria na alimentação e cuidados médicos.

No entanto, esse protesto teria resultado em punições para os internos. “Eles não têm condições para cumprir a pena decretada pelo juiz”, afirma.

Ainda conforme o familiar, desde que saiu da penitenciária de Presidente Venceslau para ficar detido em presídio federal, há pouco mais de um ano, o preso perdeu cerca de 30 kg.

Um despacho encaminho para o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) no final do ano passado aponta que o detento havia perdido 22 kg nos dez primeiros meses em presídio federal.

Um exemplo da precariedade na alimentação do presídio, segundo o familiar, aconteceu na última terça-feira (10), quando uma das refeições de interno da unidade teria uma lesma. “A lei de execução penal no quesito ressocialização não existe [em Brasília], pois a forma de tratativa é vexatória e opressora”, disse.

A reportagem questionou o Ministério da Justiça e Segurança Pública, responsável pela administração da Penitenciária de Brasília, sobre a greve de fome. No entanto, não houve retorno até a publicação desta reportagem.

A SAP-SP (Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo) também foi questionada sobre o movimento dos presos nas unidades prisionais do Estado. A pasta não respondeu. 

As Informações são do R7

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