Empresários lançam movimento contra demissões por dois meses 

Um dos maiores temores das famílias durante a quarentena é perder o emprego. A situação que já está difícil com maiores gastos, poderia piorar sem uma fonte de renda. O efeito em cadeia poderia terminar de arruinar a economia. Por isso, um grupo de empresários lançou um movimento chamado "Não demita". Segundo o manifesto "a crise tem data para acabar".

A iniciativa tem como objetivo conscientizar e convidar outros empresários a manter os empregos pelos próximos dois meses. "Nossa maior responsabilidade, agora, é manter nosso quadro de funcionários", explica um trecho retirado do site do movimento. 

A iniciativa conta com o apoio de grandes empresas como Bradesco, Magazine Luiza, Grupo Pão de Açúcar, C&A, JBS, Natura, Porto Seguro entre muitas outras, e de diversos setores da economia. Mas também o apoio da Associação Brasileira de Recursos Humanos e da Associação Brasileia de Operadores Logísticos.

"A primeira responsabilidade social de uma companhia é retribuir à sociedade o que ela proporciona a você – começando pelas pessoas que dedicam suas vidas, todo dia, ao sucesso do seu negócio", destaca o site, valorizando a importância dos trabalhadores.

"A verdade é que precisamos todos uns dos outros e, sob circunstâncias terríveis, estamos finalmente nos dando conta disso. Se você já foi fortemente afetado pela crise ou está passando por dificuldades financeiras na sua empresa e realmente não tem caixa para evitar demissões, ainda assim, pare uns minutos e reflita".

Para o banco Bradesco, "a iniciativa do nãodemita.com é um importante compromisso social a ser seguido. Acreditamos no poder da atitude e do otimismo responsável o que nos direciona a continuarmos trabalhando juntos". A instituição possui um plano de carreira internamente para os funcionários e destaca que valoriza a capacitação e aprimoramento dos empregados.

Outras saídas
A mensagem positiva pede que o empresários procure saídas diferentes ao invés de recorrer às demissões. E é o que também recomenda a advogada especializada em Direito do Trabalho, Cristina Buchignani. Para ela, é necessário considerar os custos de uma demissão, "que são bastante elevados e implicam no esvaziamento do caixa da empresas".

A advogada explica que em uma rescisão contratual normal, por iniciativa do empregador, no caso de funcionários que tenham mais de um ano de contrato vigente, é preciso pagar o saldo de salário, aviso prévio, o 13º proporcional (5 meses), férias vencidas, férias proporcionais, com mais um terço constitucional.

Além destes custos citados acima, ela lembra que é necessário pagar ainda o depósito do Fundo de Garantia, além da indenização rescisória, que somam 40% sobre todos os depósitos efetivados na conta do FGTS durante a vigência do contrato. "Quanto mais antigo o empregado, maior será este valor", destaca.

E para ajudar os empresários a manter seu quadro de funcionários, ela reforça que existe uma linha de crédito de R$ 40 bilhões para as pequenas e médias empresas pagarem os salários, na qual "85% é proveniente do Tesouro Nacional com recursos do BNDES, e os outros 15% são recursos dos próprios bancos". 

Cristina conta que o governo está estudando uma nova linha de crédito para as microempresas que não se encaixam no crédito citado. "Após críticas, o governo afirmou que está estudando uma forma de abranger as que ficaram de fora", pondera.

"O manifesto é relevante e importante sob vários aspectos, porque reforça o papel social da companhia em um momento de tantas dificuldades. Não é o momento de causar um estresse maior na sociedade e na família. E obviamente os empregos e os salários serão importante para que a economia volte a funcionar", finaliza.

As Informações são do R7

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