Duran fala sobre o primeiro espetáculo circense drive in do estado e coronavírus nos presídios paulistas

O prefeito de Presidente Venceslau e presidente da Unipontal (União dos Municípios do Pontal do Paranapanema), Jorge Duran (PSD), foi entrevistado pelo jornalista Wagner Bueno na manhã desta segunda-feira (25) no Programa Bom Dia Cidade, da Rádio Vale FM de Presidente Epitácio, com a participação do comentarista Cidmir Moreno.

Duran falou mais uma vez sobre a preocupação com a situação das unidades prisionais da região frente a pandemia da Covid-19. O representante da Unipontal disse que até o momento nada foi feito pelo governo estadual para conter a disseminação do vírus dentro dos presídios, desprotegendo assim funcionários, seus familiares, policiais penais e detentos. “Há negligência por parte do Estado. Quando cobramos, ouvimos que já existe um plano, que todas as medidas estão sendo tomadas, mas o que percebemos é que é só discurso, na prática nada mudou”, contou Duran.

O prefeito comparou os presídios a barris de pólvora. “São locais muito perigosos por causa da proximidade entre os detentos. Cada dia temos mais presos contaminados, mais agentes e suas famílias”. Ele falou sobre a região do Oeste Paulista, onde se concentra grande número de unidades prisionais e por isso, número expressivo de casos positivos de coronavírus, registrados em agentes e familiares. Duran citou o exemplo de Indiana, onde os casos testados positivos se tratam de agentes penitenciários ou familiares, sendo que na cidade não existe presídio, mas há moradores que trabalham em outras localidades e acabam se contaminando e transmitindo o vírus ao voltarem para casa.

RECLAMAÇÕES E FAKE NEWS

De acordo com Jorge Duran, o Estado minimiza as reclamações, chegando a afirmar que são fake News, que todos os veículos são desinfetados e que os funcionários trabalham com EPIs, mesmo quando os agentes denunciam o contrário.

A falta de diálogo com o governo também colabora para o aumento dos casos da doença. Duran conta que esse é um ponto bastante criticado, já que os prefeitos da região pedem um tratamento diferenciado da capital e regiões metropolitanas para ter o poder de decisão sobre seus municípios e uma ação do mesmo governo para combater o vírus dentro das cadeias. “Quando começamos a cobrar mais, apareceram as videoconferências com governador e vice, mas não nos dão a palavra. Eles escolhem quem vai falar, a impressão que temos é que só ouvem aquele determinado grupo, que diz exatamente o que eles pensam. Qualquer fala externa não é levada em consideração”.

Duran diz que se tratada com seriedade, a situação dos presídios paulistas poderiam ser bem mais tranquila hoje. “O maior isolamento já é o isolamento social dentro de um presídio, mas se não tem preocupações, o vírus entra lá também. Não é possível garantir que não haja nenhuma contaminação dentro do sistema prisional, mas se fossem tomadas desde o início determinadas precauções, seria possível diminuir”. Como medida importante para essa diminuição na transmissão da doença, Duran cita as transferências de presos, que até o momento não foram suspensas. “As movimentações colocam em risco servidores, policiais que fazem escolta. O Secretário da Administração Penitenciária é contrário às transferências, porque acredita que o preso que cometeu falta no presídio precisa ser transferido para outro para não ter contato com seu oponente”, explica.

O prefeito ainda expõe a contradição do Estado no trato à população e aos presídios. “O Estado antecipa feriado mas não toma cuidados com os presos. Toda unidade prisional tem seu pavilhão disciplinar (castigo), não precisa transferir para cumprir a sanção administrativa.

Se estamos numa situação anormal, parar o estado todo, o trabalho, adiantar feriado, porque não podemos parar essas transferências momentaneamente?”, questiona.

O político falou também que o Brasil está prestes a adotar o mesmo sistema que o Irã, que soltou milhares de presos para que esses e cuidem sozinhos em suas casas. “Na China, os presos foram tratados dentro dos próprios presídios, em estruturas montadas especialmente para isso. No Irã, o governo entendeu que não era sua responsabilidade cuidar desses presos, então os soltou para se tratarem sozinhos. No Estado de São Paulo, já foram soltos mais de 3 mil detentos. A OAB tem um projeto para facilitar a soltura de outros 25 mil. No Paraná, um homem de 38 anos, líder da facção criminosa PCC, com 76 anos de cadeia a ser cumprido, foi posto em liberdade porque juntou um atestado médico de hipertensão, alegando ser grupo de risco. Resultado, saiu com tornozeleira eletrônica e na primeira esquina jogou fora e agora deve estar cometendo crimes como antes”. A preocupação, portanto, não deve ser apenas com a questão epidemiológica, mas com todos os outros aspectos, como segurança e economia.

Jorge Duran afirmou que a economia na região foi seriamente afetada pela quarentena. “Se cai a economia, cai a arrecadação de impostos e as dificuldades virão no poder público se não tiver socorro. Nossa arrecadação caiu pelo menos 30%. A nossa esperança é o auxílio emergencial do governo federal aos municípios. A ajuda do governo estadual é insuficiente, apenas R$4 per capta, para os municípios utilizarem na área da saúde. Falamos com o vice- governador, mas fomos informados que não teriam mais nada para repassar”. O prefeito disse ainda que os governadores fizeram uma manobra política para tirar dos municípios 20% dos recursos destinados pelo governo federal. “Caberá ao município usar esse recurso com bastante cautela e estratégia”, pontuou.

PRIMEIRO ESPETÁCULO CIRCENSE DRIVE IN DO ESTADO

Duran falou ainda sobre o circo que está instalado em Presidente Venceslau desde pouco antes da determinação da quarentena e que inovou criando o espetáculo drive in. “O circo Moscou conseguiu fazer apenas uma semana de apresentações antes do decreto da quarentena. Por isso eles não tiveram também condições de ir embora e nesse tempo na cidade, se integraram a nossa sociedade, contando com o apoio da prefeitura e população para sanar suas necessidades básicas. No final de semana passado, colocaram em prática a ideia que levaram até mim, uma modalidade de espetáculo que só havia acontecido em Santa Catarina. Foi então o primeiro espetáculo circense drive in, com 23 carros assistindo, respeitando uma distância segura”.  O prefeito contou que foi emocionante ver o amor que os artistas têm pela profissão e a necessidade de trabalhar e a reação do público, que de dentro de seus carros aplaudiu fazendo um buzinaço. O valor cobrado por veículo para assistir a apresentação é de R$50,00 (equivalente a R$10 por pessoa, levando em conta a capacidade de lotação do veículo de cinco pessoas).

RETOMADA CONSCIENTE DAS ATIVIDADES

Por fim, Duran reforçou que é possível retomar o comércio e outras atividades.  “O que pedimos ao governador é que nos deixe fazer, a gente tem responsabilidade e sabe o que está fazendo. Não queremos acabar com ninguém, queremos saúde acima de tudo, entendemos que é possível fazer as atividades com responsabilidade. Só voltaremos 100% ao normal quando tiver a vacina contra o coronavírus”.

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