Covas admite aumento de ocupação de UTI, mas não vê 'qualquer necessidade de lockdown'

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), admitiu nesta quinta-feira (19) aumento na taxa de ocupação dos leitos de UTI na rede pública e privada da cidade, mas defendeu que a pandemia está estável e que não há necessidade de impor medidas mais restritivas.

"Há uma estabilidade em relação ao número de casos na cidade de São Paulo, há uma estabilidade em relação ao número de óbitos na cidade de São Paulo, mas há uma variação positiva em relação a taxa de ocupação dos leitos de UTI Covid aqui na cidade de São Paulo", disse Covas durante coletiva de imprensa da Prefeitura.

"Aqui não há espaço para nenhum discurso extremista, aqui não se trata de dizer que a pandemia já acabou e que os cuidados não precisam mais ser tomados. É preciso manter os cuidados aqui na cidade de São Paulo, como também não há nenhum número que indique qualquer necessidade de lockdown como infelizmente alguns vem espalhando, disseminando uma fake news", completou.

Com a queda de casos registrada nos meses anteriores, os hospitais liberaram leitos de Covid para outras doenças.

Na avalição da gestão municipal, a elevação foi provocada pela redução no número de leitos disponíveis e pelo atendimento a pacientes de outros municípios.

"Nós chegamos a ter 31 leitos por 100 mil habitantes, hoje nós temos 19,5 leitos por 100 mil habitantes. Portanto, a cidade e a rede privada foram reduzindo a quantidade de leitos referenciados Covid. Há, portanto, espaço para ampliar essa quantidade de leitos", afirmou.

"Em março nós tínhamos 13% das pessoas internadas na cidade de São Paulo eram de fora da cidade, hoje nós estamos com 20% das pessoas internadas na cidade de São Paulo são de fora da cidade de São Paulo", completou.

Segundo a Prefeitura, até as 11h desta quinta-feira (19), a rede pública registrava índice de 45% da taxa de ocupação dos leitos de UTI.

Na rede particular o número é superior: 76% para leitos Covid e 80% nos leitos destinados para outras doenças.

Segunda onda
Mais cedo, em agenda de campanha na Zona Leste da cidade, Covas negou a existência de uma segunda onda de coronavírus.

"Não há segunda onda na cidade e há uma estabilidade da pandemia", declarou após ser questionado por jornalistas.

Flexibilizações
Ainda de acordo com o prefeito, a cidade permanecerá no mesmo estágio de flexibilizações. Atualmente, a capital paulista está na fase verde, a mais restritiva, do plano estadual.

A gestão municipal disse que não pretende autorizar o retorno das aulas presenciais para além do que já foi permitido.

Na capital, Covas liberou, desde o dia 3 de novembro, o retorno das aulas presenciais aos alunos do Ensino Médio. Estudantes do Ensino Infantil e Fundamental seguem autorizados a ter apenas atividades extracurriculares.

"Então não é o momento de ampliar a flexibilização, como também não é há nenhuma necessidade de retroceder na flexibilização que já foi feita na cidade de São Paulo. Nós vamos continuar no mesmo estágio, com as mesmas atividades abertas, com o mesmo protocolo a ser respeitado e contando com a colaboração e envolvimento das pessoas e de todas as entidades que vieram assinar os seus protocolos sanitários aqui com a Prefeitura de São Paulo", disse Covas.

Lotação
Familiares de pacientes ouvidos pela reportagem afirmam que não conseguiram leitos nesta quarta-feira (18) em ao menos três grandes hospitais da cidade: Albert Einstein, Sírio-Libanês e São Luiz.

O problema afeta tanto pacientes com suspeita ou diagnóstico de Covid-19 quanto de outras doenças.

Em nota, o Hospital Israelita Albert Einstein não confirmou a falta de vagas, mas disse que no momento "há 91 leitos ocupados por pacientes com diagnóstico confirmado para a Covid-19" e que "da última semana de setembro ao dia 12 de novembro, a média de internações oscilou entre 50 e 55 pacientes com o novo coronavírus".

Médicos que atuam na rede particular e municipal de São Paulo também confirmam ao G1 a saturação dos sistemas particular e público. Um dos profissionais ouvidos pela reportagem revelou que nesta terça-feira (17), em seis horas de plantão em um hospital particular na Zona Oeste, atendeu ao menos 25 pacientes com suspeita ou confirmação de Covid-19.

Além da escassez de vagas, os funcionários dos hospitais privados estão sendo orientados a redobrar os critérios para liberação dos poucos leitos que ainda restam, principalmente de UTI.

O aumento de internações também ocorre em outros hospitais particulares da cidade. O Hospital 9 de julho, localizado na região central de São Paulo, informou, por meio de nota, que "após a estabilização no número de casos entre os meses de maio a outubro, nos primeiros 17 dias de novembro foi registrado um aumento de cerca de 30% nas internações de pacientes com Covid-19".

O Hospital São Camilo informou que "atualmente, a taxa de ocupação dos leitos de UTI por Covid-19 na Rede é de cerca de 86%."

O Hospital Alemão Oswaldo Cruz disse que "registrou alta no número de casos de Covid-19 tratados pela Instituição, frente ao patamar de outubro" e "a maior procura de vagas por pacientes de outros estados". No entanto, o hospital não informação a ocupação dos leitos e disse que os dados são repassados exclusivamente às secretarias de saúde do Estado e do Município.

O Hospital Beneficência Portuguesa também informou que verificou um aumento na demanda por internações devido a Covid-19 nos últimos 14 dias.

As informações são do G1.

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