Lula aparece como comprador de sítio em Atibaia, diz escrevente

O escrevente João Nicola Rizzi afirmou nesta quarta-feira (21), ter feito a minuta de escritura de compra e venda do sítio que o ex-presidente Lula e a ex-primeira-dama Marisa Letícia, morta em 2017, aparecem como compradores do imóvel. O documento foi encontrado na casa do petista, em São Bernardo do Campo.

Rizzi confirmou depoimento que já havia prestado à força-tarefa. Ele diz ter feito o documento a pedido do advogado Roberto Teixeira. O escrevente ainda relatou ter elaborado, atendendo à nova solicitação do compadre do ex-presidente, outra minuta, em que o nome dos compradores ficaria em branco.

O documento, que não está assinado, foi apreendido no dia 4 de março durante a Operação Aletheia, desdobramento da Lava Jato.

Pela minuta, o sítio seria adquirido pelo petista em julho de 2012. Oficialmente, o Santa Bárbara pertence aos empresários Fernando Bittar e Jonas Suassuna. Segundo a defesa de Lula, os empresários compraram a propriedade para oferecer como uma área de descanso ao ex-presidente. Lula afirma que soube do sítio no dia 15 de janeiro de 2011. Ele esteve na propriedade 111 vezes.

Segundo o documento, Lula pagaria R$ 200 mil no ato e R$ 600 mil em três prestações. Chamou a atenção dos investigadores o fato de o contrato mostrar como vendedor apenas Fernando Bittar. O nome de Suassuna não consta do documento.

Denúncia
O caso envolvendo o sítio resultou na terceira denúncia contra Lula na Lava Jato. Segundo a acusação, Odebrecht, OAS e Schahin, por meio do pecuarista José Carlos Bumlai, gastaram R$ 1,02 milhão em obras no sítio em troca de contratos com a Petrobras. O imóvel foi comprado no fim de 2010, quando Lula deixava a Presidência.

Defesa
O advogado Cristiano Zanin Martins negou as acusações contra Lula e o advogado Roberto Teixeira.

“Roberto Teixeira é advogado há quase 50 anos, foi presidente em duas oportunidades da Subseccional de São Bernardo do Campo da Ordem dos Advogados do Brasil. É especialista em Direito Imobiliário e sua atuação relatada no depoimento prestado hoje (21/02) por João Nicola Rizzi, do 23º. Tabelião de Notas de São Paulo, mostra a prática de atos estritamente relacionados à advocacia por parte de Teixeira”, rebateu.

“Rizzi confirmou que a escritura de venda e compra do sítio de Atibaia foi firmada pelos proprietários Fernando Bittar e Jonas Suassuna no escritório de Teixeira, da mesma forma como ocorreu com outros clientes do advogado”, afirmou Zanin.

“A tentativa de criminalizar atos inerentes à advocacia, como ocorre em relação a Roberto Teixeira, é uma clara tática de ‘lawfare’, objetivando, no caso concreto, fragilizar a defesa do ex-presidente Lula. Teixeira é advogado de Lula há mais de 30 anos e o escritório do qual é sócio-fundador é um dos que representa o ex-presidente nas ações penais a que ele responde”, conclui o advogado.

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