Médicas protestam em defesa de Nise Yamaguchi no Congresso em Brasília

Após a repercussão negativa do tratamento dispensado a médica Nise Yamaguchi pelos senadores de oposição ao governo que integram a CPI da Pandemia, um grupo de médicas realizou manifestação diante do Congresso Nacional nesta quarta-feira (02) em Brasília.

O grupo exibiu faixas e cartazes com frases de ordem e pediam respeito às médicas e manifestaram apoio a Dra. Nise que prestou depoimento na CPI na última terça-feira (01). “Respeitem a autonomia médica”, estava escrito em uma das faixas. Outra dizia, “Senador Humberto Costa, Ivermectina, Azitromicina e AAS Infantil salvam vidas”. Outros cartazes traziam palavras em apoio a Dra. Nise. “Tamos Juntos, Dra Nise”.

A postura dos senadores, principalmente do relator da CPI Renan Calheiros, e do senador Otto Alencar, na abordagem e questionamento da Dra. Nise, causou indignação em grande parte da sociedade.

CFM publica moção de repúdio
O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou nesta quarta-feira, 2, uma moção de repúdio à forma como médicos têm sido tratados durante depoimentos na CPI da Covid-19 no Senado. Em nota, o coletivo manifesta “indignação” pelas “manifestações que revelam ausência de civilidade e respeito no trato de senadores com relação a depoentes e convidados médicos”.

Segundo a entidade, “ao comparecer na CPI da pandemia, qualquer depoente ou testemunha tem garantidos direitos constitucionais, não sendo aceitáveis ataques à honra e dignidade, por meio de afirmações vexatórias”.

O presidente do conselho federal de medicina, Mauro Ribeiro, classificou como inadmissível a forma com que as médicas Mayra Pinheiro e Nise Yamaguchi foram tratadas. “Infelizmente, o que nós temos visto nesta CPI da Covid é inaceitável, é intolerável. Principalmente quando nós vemos médicas, como no caso da doutora Nise e da doutora Mayra, que estiveram lá recentemente, sendo totalmente destratadas por alguns senadores”, pontuou. Ribeiro ressaltou que as falas das médicas não representam o pensamento do Conselho e disse que elas respondem apenas pelos próprios posicionamentos.

O presidente do CFM ainda se dirigiu diretamente ao senador e médico Otto Alencar, reprimindo a conduta dele com Nise Yamagushi. “Particularmente, o comportamento do médico e senador Otto Alencar foi inconcebível, foi inaceitável, com aquilo que fez com a doutora Nise Yamaguchi. É inaceitável, doutor Otto. O senhor é um médico e deveria refletir sobre aquilo que você fez. A deslealdade que o senhor teve com uma médica mulher”, disse.

O presidente do CFM vai enviar um ofício ao presidente do senado, Rodrigo Pacheco, pedindo que sejam tomadas medidas contra o que chamou de “ambiente tóxico” da CPI. Mauro Ribeiro afirmou esperar que o CFM seja convocado o quanto antes para falar à comissão.

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