Professor é flagrado transportando 16 crianças em veículo em Campo Grande

Um homem de 64 anos foi visto dirigindo um carro com várias crianças em Campo Grande (MS). Amontoadas no veículo, que comporta até cinco pessoas, incluindo o motorista, algumas crianças estavam no porta-malas com os pés para fora.

A cena foi flagrada por uma empresária de 35 anos, que estava atrás do veículo e chegou a achar que eram bonecos. O G1 localizou o condutor do veículo com as crianças, José Ferreira de Andrade, que disse que levava 16 alunos para treinar futebol em um projeto social.

A chefe da Educação para o Trânsito da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), Ivanise Rotta, afirmou que não se deve colocar crianças em risco no trânsito, mesmo "dizendo que está fazendo um bem maior". O homem pode responde por até quatro infrações.

O que diz o professor
Conhecido como Esquerdinha, José Ferreira é professor de futebol e afirma que dá aulas para crianças em projeto social.

"Eu sou professor voluntário e tenho esse projeto social há 20 anos. Não tenho outro recurso e faço isso para levar as crianças para jogarem nos campeonatos. Eu toco ele [projeto] sozinho. Levo a gurizada desde muito pequena para jogar na comunidade Tia Eva, para fazer treinos no bairro Mata do Jacinto onde tem uma quadra de futsal e também lá na região do Nova Lima e no bairro Estrela Dalva", disse.

Segundo o professor, sua renda é de R$ 1,9 mil mensais. Ele diz que leva as crianças para o projeto para que elas tenham oportunidades em times grandes e desenvolvam bons hábitos.

"Eu sou professor de futebol e divido a minha renda com estas crianças do trabalho voluntário. Elas possuem uniforme, eu sempre levo pão e suco de lanche. Nunca tive uma ajuda sequer e daqui já saiu jogadores que foram para times grandes. Faço isso porque, quando eu era criança, nunca tive apoio. Também para que essa gurizada fique longe das drogas, das bebidas e do crime."

Sem sede e buscando recursos com empresários, o professor afirmou que não tem o intuito de cobrar mensalidade das crianças. "Eu queria ter uma sede, um vestiário, só que eu sei que não tem como pedir nem um centavo para os pais [dos alunos]. Tem lugar que cobra R$ 100 só do uniforme, mas, eu não vou fazer isso. [...] O que nos une mesmo, eu e essas crianças, é o amor pelo futebol."

Sobre a imprudência com o carro, o professor disse que "está arriscando a própria vida". "Isso aí é sempre que acontece e eu sei que, se precisar, as crianças vão a pé para o campo comigo. Eu não vou desistir só porque me filmaram. Tem amistoso direto, elas querem ir."

Pai de dois filhos, José Ferreira disse que também os leva para assistir e participar de campeonatos na cidade. Seu sonho, afirmou, é ter um ônibus para transportar os alunos. "A maior vontade que tenho é ter um ônibus para levá-los, para participarem de peneiras e jogarem em vários outros bairros, outras cidades do estado", disse.

Infrações
A chefe da Educação para o Trânsito da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), Ivanise Rotta, disse que o motorista pode, de forma imprudente, "amputar as pernas" das crianças e "o fato é inaceitável". Ela ainda ressaltou que o ocorrido comprova o quanto o trabalho preventivo no trânsito é essencial para evitar infrações como esta.

"Uma colisão de um veículo deste, mesmo que a velocidade não esteja excessiva, seria uma tragédia. Sem cinto de segurança, todo mundo amontoado, um vai batendo a cabeça no outro. As chances existem e é algo real."

"Nós entendemos que há um problema social, então, devemos buscar soluções e jamais colocar em risco, dizendo que está fazendo um bem maior. O trabalho preventivo é essencial para que não tenhamos que remediar o irremediável, porque, quando se perde uma vida, principalmente de criança, não há nada que conforte a família. Não há nada que faça a sociedade aceitar a morte de uma criança por negligência."

As informações são do G1.

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