Economia: O que esperar dos últimos meses de 2021?

O Artigo é de autoria do Professor Bertoncello Ph.D. em Economia, e foi publicado na Revista Foco edição de agosto.

As perguntas feitas por todos, sobre o II semestre de 2021 são: Iremos vencer a COVID-19 e as políticas públicas serão melhoradas? Como a sociedade irá se comportar e quais serão os efeitos econômicos para o Brasil e o Oeste Paulista?

Para termos o primeiro ponto respondido é importante deixar claro a diferença entre, a pandemia e as políticas públicas. A pandemia é a enfermidade epidêmica amplamente disseminada, em outras palavras, a COVID-19 é uma doença que afetou todos os países do mundo. Já as políticas públicas podem ser definidas como, cada país, e no caso do Brasil, como cada estado e município enfrentou a pandemia.

A pandemia esta sendo controlada, mas aparentemente o novo coronavírus permanecerá entre nós como inúmeras outras doenças e vírus que já convivemos há muito tempo. Mas com o controle da COVID-19, as políticas de trancamento e proibição da livre circulação devem sumir, e em pouco tempo ninguém sensato defenderá que pessoas sadias não saiam para ir trabalhar.

No início da pandemia e das políticas restritivas, o Brasil teve uma retração histórica do PIB, no segundo trimestre de 2020 o PIB caiu -9,7%, mas felizmente no final do ano a conta fechou com uma queda de -4,1% do PIB. Neste cenário foi possível observar a queda do consumo das famílias, serviços e indústria, ao mesmo tempo, um crescimento do agronegócio e recordes no superávit comercial, pela diminuição das importações e aumento das exportações a exportação foi puxada principalmente pelos alimentos.      

Agora no final da pandemia o crescimento do PIB será forte e tendo como base o consumo das famílias por bens e serviços, isto quer dizer que, grande parte do consumo reprimido em 2020 acontecerá agora, o foco sairá da construção civil, produtos básicos e fármacos, para serviços ligados ao lazer e entretenimento, bens duráveis e semiduráveis, em outras palavras, com o fim das restrições a população vai as compras.  

Dois itens representam bem o que vai acontecer no próximo semestre, o primeiro é a mudança de trajetória é o consumo de energia, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) aponta uma expansão de 1,5% no consumo do país na primeira quinzena de julho, nossos níveis de consumo já são superiores ao período pré pandemia. O outro é o consumo de papel ondulado segundo a Associação Brasileira de Embalagens em Papel, as vendas em 2021 subiram 23% comparadas ao ano anterior, resumindo estão consumindo energia para produzir e papel para embalar o que vai ser consumido no segundo semestre. 

O Brasil deve terminar o ano com um crescimento de 5,3% do PIB segundo o FMI, assim anulará a queda de 2020. Porém, quando se somado os dois anos, 2020 e 2021, algumas cadeias produtivas apresentarão forte crescimento como a agropecuária e algumas ainda apresentarão queda como o turismo. No Oeste Paulista não é diferente além do crescimento do consumo interno, o agronegócio e consumo de bens apresentam aumentos recordes em 2021 nas exportações; açúcar aumentou +78%, peles e couros +239% e a exportação de máquinas e aparelhos elétricos subiu + 182%.

O único dado ainda negativo neste ano, e que deve se repetir no segundo semestre é o nível de desempregado no Brasil, este permanecerá perto de 14% da população, apesar de maio registrar o 5o mês seguindo de criação de emprego. Tendo 2021 um saldo de 1.233.372 vagas com carteira assinada, iremos precisar de 3 anos consecutivos de crescimento econômico para atender aos milhões de desempregados atuais.

Assim, podemos concluir que no segundo semestre de 2021, venceremos a pandemia as políticas públicas de restrição da circulação das pessoas acabarão, será evidente que a economia vai voltar a crescer, apesar de termos setores mais lucrativos e ainda setores no vermelho, mas infelizmente ainda teremos um alto índice de desemprego no início de 2022 no Brasil e no Oeste Paulista.

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