Vereadores pedem informações à Polícia Civil sobre investigações da morte de paciente no Pronto Socorro Municipal de Bataguassu

Um requerimento de autoria dos vereadores Cleyton Silva e Renatinho, que pede informações à Delegacia Regional de Polícia Civil de Bataguassu sobre o caso do paciente Marcos Paulo Pinheiro Moreira que mesmo com vaga para remoção morreu no dia 08 de junho no Pronto Socorro Municipal, por falta de um médico para acompanha-lo, foi aprovado na sessão desta terça-feira (21) na Câmara Municipal. O documento solicita se há algum procedimento de apuração dos fatos pela Polícia Civil. 

"Conforme matéria jornalística, na madrugada entre os dias 07 e 08 de junho de 2022, o paciente Marcos Paulo Pinheiro Moreira, devido a gravidade do problema de saúde do qual estava acometido, precisou ser removido para outra cidade, onde existem maiores recursos de atendimento à saúde pública, no caso, Campo Grande. Ocorreu que por falta de profissional para acompanhamento do paciente ou recusa do profissional que estava no pronto socorro, a remoção não se realizou e o paciente veio a óbito na madrugada do dia 08 de junho de 2022. A referida notícia menciona a possível ocorrência de omissão no Pronto Socorro Municipal, fato que em nosso ver é grave e necessita de melhor esclarecimento, devido a possível ocorrência de infração penal", justifica os vereadores no documento.

O vereador Cleyton Silva comentou o caso. "O requerimento é para pedir se esse fato está sendo investigado e pedir o compartilhamento desta investigação. Quero dizer que é muito triste isso, este caso deixa claro que o problema é gestão. Uma falha na gestão leva a morte. O que que adiantou no ano passado a gente fazer a CPI que apontou inúmeras irregularidades? Nós temos que fazer com que estes casos sejam cessados. No caso em questão ficam vários questionamentos, como não ter dois ou três médicos de sobreaviso, igual tinha anteriormente. Já foi falado aqui nesta Casa de Leis que dinheiro não é problema para o município,  mas o município não consegue pagar R$ 800 para ter mais um médico no plantão de sobreaviso para remoção de pacientes, porque é natural que um dia vai ter uma remoção, quando o médico não tiver na cidade e se acontecer vai deixar o paciente morrer? É muito séria essa situação, precisa dar um basta nisso!", relata o vereador

O caso

Marcos morreu no Pronto Socorro Municipal da Santa Casa de Bataguassu, por falta de médico que o acompanhasse até Campo Grande em uma ambulância. Após passar mal e ser internado, Marcos conseguiu vaga em um hospital da Capital às 23h do dia 07 de junho, mas por falta de um profissional de saúde para acompanha-lo, ele não foi e morreu às 4h45 do dia 08 no hospital de Bataguassu. Conforme a família houve omissão de socorro e negligência no atendimento, já que além de não ser levado para Campo Grande, não foram feitos exames para diagnosticar a enfermidade correta do paciente.

Marcos Paulo tinha 35 anos

"Quando a vaga saiu, estávamos lá no hospital e a médica entrou em contato comigo pelo WhatsApp, e disse que a vaga tinha saído mas que agora, a gente teria que correr atrás de um médico, porque não tinha profissional para ir com ele, e o Marcos não podia ir sozinho na ambulância porque era perigoso dar um parada cardíaca, e não ter ninguém para reanima-lo. Foi nos explicado que a médica que estava de sobreaviso já estava em Campo Grande com outro paciente e que a próxima entraria em plantão às 7h, e que foi tentado contato com ele mas sem sucesso", relatou a irmã do paciente

A irmã de Marcos, Daiane, ainda contou que no desespero, a familia chegou a mandar mensagem para o secretário de saúde (Helder Augusto Lousa Junior), que não respondeu as tentativas de contato. Daiane ainda disse que um dos administradores da Santa Casa chegou a pedir para a doutora que estava de plantão, Milene, fosse com o paciente até Campo Grande, e que ele ficava no hospital até aparecer um outro médico, no entanto segundo a irmã de Marcos, a doutora se negou a ir porque ela estaria de plantão na hemodiálise no outro dia. 

"Quando foi às 4h45 meu irmão faleceu, ele estava tendo muitas crises chegando a vomitar sangue e na última não resistiu e ninguém falou mais nada com a gente. A vaga saiu. Mesmo tendo pedido vaga 1, conseguimos com ajuda de muitos amigos. O mais difícil era a vaga, mas por falta de um médico não conseguimos salvar a vida dele" lamentou Daiane

Para Daiane um atendimento correto poderia ter salvo a vida do seu irmão."Nada que for feito, vai trazer ele de volta, mas queremos que seja feito justiça, para que outras pessoas não passem pelo o que a gente está passando. Que tenha médico no Pronto Socorro Municipal, porque não foi só o meu irmão. Quantas vidas mais temos que perder para que algo seja feito? Ele não foi o primeiro que morreu por negligência e por falta de médico. O que todos queremos e que não aconteça de novo. Ontem foi meu irmão e amanhã que é o próximo? A gente tem que estar esperando isso? Quem é próximo que vai precisar de um médico e não vai ter, que vai precisar de um exame na Santa Casa e não vai fazer?", lamenta Daiane

Outro lado

Em nota enviada ao Jornal Cenário MS, a Prefeitura de Bataguassu informou que mantém no Pronto Socorro Municipal um médico plantonista e um médico de sobreaviso para atendimento de pacientes.

"O paciente citado na matéria procurou o Pronto Socorro Municipal no dia 6 de junho, onde realizou exames laboratoriais que não apresentaram alterações severas. Ele foi prontamente atendido, medicado e orientado a retornar em caso de persistência dos sintomas. Já no dia 7 de junho, o paciente, que já possuía um quadro clínico crônico retornou ao PS já mais debilitado, onde novamente foi atendido e constatou-se a necessidade de remoção do paciente. Na data dos fatos, foi registrada outra intercorrência grave, que necessitou que o médico de sobreaviso acompanhasse um paciente infartado que foi transferido para uma outra unidade hospitalar. Desta forma, o município reitera que cumpriu com suas obrigações, não deixando de atender o paciente no que é de sua competência", diz nota

A reportagem entrou em contato também com a médica plantonista, Milene Scatolon, que atendeu Marcos nos dias 6 e 7. Ela deu explicações sobre o caso, mas pediu que não fosse divulgadas na matéria. 

As informações são do Cenário MS.

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