Com dólar mais caro, pão deve ficar 20% mais caro

Alimentos à base de trigo, como pão e massas, são alguns dos que sofrem o impacto direto da alta do dólar. O Brasil depende de importados para garantir o consumo interno. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães e Bolos Industrializados (Abimapi), o Brasil consome cerca de 10 milhões de toneladas de trigo por ano, mas produz apenas metade disso. O restante é importado, especialmente da Argentina. Porém, neste ano houve quebra da safra do país vizinho e o produto está sendo comprado nos Estados Unidos e América do Norte, o que eleva ainda mais o custo, já que importações dentro do Mercosul têm isenção tributária.

“Não bastasse essa situação que já é complicada para o preço, agora temos o agravante da alta do dólar”, afirma o presidente-executivo da Abimapi, Cláudio Zanão.

A estimativa, segundo ele, é que o pão e o macarrão fiquem cerca de 20% mais caro, enquanto que os biscoitos devem ter alta de 12% até o fim de junho. “Nos últimos 3 meses, o trigo subiu quase 50%. Agora com o dólar valorizado o produto vai ficar ainda mais caro e a tendência é que o repasse para o consumidor, que já começou a ocorrer, se intensifique”, avalia Zanão.

Para o economista da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Thiago Berka, a alta do dólar tem impacto direto no setor. “Produtos de limpeza e higiene pessoal, que dependem de artigos químicos importados em sua composição, podem ter reflexo”, diz.

No entanto, explica ele, a área de beleza e higiene pessoal, por exemplo, apresentaram deflação no último mês e, por isso, o efeito não deve ser tão grande para o consumidor. “Deve ter impacto, mas como há uma margem, deve ser menor”, considera. “Mas no setor de alimentos a influência é maior, principalmente para pães e massas, porque nossa produção de trigo é baixa”, complementa o economista.

As informações são do Jornal Tribuna Livre.

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