Roupas podem ficar mais caras, e a culpa também é do petróleo

O aumento na cotação do petróleo, que saiu de US$ 35 o barril para cerca de US$ 80 nos últimos meses, não deverá ser sentido apenas nos preços da gasolina. Utilizado como matéria-prima na indústria da moda, o petróleo, aliado a um dólar mais caro, deve influenciar também o preço das roupas para o consumidor.

Isso porque o petróleo está presente em componentes químicos, como o elastano, que compõe tecidos sintéticos como poliéster e variações da viscose, como viscolycra e bengaline, por exemplo. Esse componente ajuda as roupas que necessitam de elasticidade, como as peças utilizadas nas academias, moda praia e na maior parte das roupas femininas.

Tais tecidos, por sua vez, são produzidos principalmente na China e importados por revendedores no Brasil.

As importações de roupas com tecidos de fibras químicas são afetadas diretamente, segundo Amnon Armoni, coordenador da pós-graduação em moda da Faap (Fundação Armando Alvares Penteado), em São Paulo.

35% do preço da roupa
A matéria-prima chega a compor cerca de 35% do custo total da roupa, segundo dados da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção). Petróleo caro, portanto, pode representar roupa mais custosa também.

"As indústrias terão de fazer algum tipo de reposicionamento de preço a partir de um fortíssimo aumento de custo derivado do petróleo, que no efeito cascata, chega até o consumidor final", disse Fernando Pimentel, presidente da Abit.

No Brás (zona leste de São Paulo), um dos principais polos de revenda da indústria têxtil no país, alguns produtores e importadores de tecidos já avisaram os clientes que o reajuste para tecidos sintéticos deverá chegar a 25% em breve. Já houve aumento recente de cerca de 10% nesses tecidos.

"Estamos anunciando a alta, pois não podemos mais segurar os preços", disse um dos lojistas do local que preferiu não se identificar. Ele, porém, se mostrou receoso quanto à capacidade de repasse se os preços ao produtor continuarem a subir.

Consumidor pode reagir mal
O problema é que, em um cenário de crise econômica como a que o país vive, repassar os custos integralmente pode fazer com que o consumidor desapareça das lojas.

"É preciso ver os movimentos que se darão a partir dos estoques e a capacidade de repassar preços em uma economia que não está forte, que não está crescendo", afirmou Pimentel, da Abit.

É o caso da LV Store, marca de roupa femininas que utiliza tecidos sintéticos, como suplex e bengaline, para a produção de peças. Para eles, o repasse está vetado já que o poder de compra do consumidor pode permanecer abalado ainda por um tempo indefinido.

"Sabemos que a crise não foi totalmente superada. Dessa forma, decidimos amortecer o aumento de custos em nossas margens para que os clientes possam continuar comprando", afirmou Letícia Vaz, fundadora da marca.

Assim, a empresa disse preferir manter os preços administrados para aumentar as vendas em vez de repassar a alta nos custos e acabar perdendo clientes.

"Se mantivermos os preços, esperamos continuar crescendo no volume de vendas para, então, poder aumentar nossa receita sem forçar nossos clientes", disse Letícia.

As informações são do site Uol.

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