Comerciante Alcides Figueiredo morre aos 89 anos em Venceslau

Faleceu na manhã deste domingo (18) o comerciante Alcides Figueiredo. Ele tinha 89 anos de idade e estava em sua residência quando passou mal e veio a óbito.

O velório ocorre na Organização Presidente e o sepultamento está marcado para às 09h da manhã desta segunda-feira (19) no cemitério de Presidente Venceslau. 

Histórico
O senhor Alcides nasceu na Praia de Mira, um vilarejo localizado na região centro de Portugal, próximo a Coimbra. Veio para o Brasil pela primeira vez aos 21 anos, para trabalhar como caixeiro viajante. Após 21 dias no mar, o navio North King atracou no porto de Santos.

Entre as muitas coincidências que marcam a vida do senhor Alcides, uma em especial ele sempre fez questão de recordar e se parece com cena de filme. “Quando estava no segundo dia de viagem para o Brasil, me lembrei da tristeza dos meus pais ao nos despedir e resolvi então escrever uma carta, colocá-la em uma garrafa de vinho e jogá-la ao mar, na esperança que chegasse até eles”, contou Alcides em matéria publicada na Revista Foco edição agosto de 2015.

Na garrafa, ele deixou orientações para a pessoa que a encontrasse: “Caro achador, ao encontrar esta carta, leve-a até o endereço mencionado que será gratificado”. Algum tempo depois, dois construtores que estavam em São Pedro de Moel, uma praia distante 117 km da praia de Mira, onde residia a família do senhor Alcides, encontraram a garrafa boiando no mar, recolheram-na e perceberam que havia uma carta dentro dela. Após quebrar a garrafa e ler as instruções, eles decidiram entregar a carta aos destinatários e, assim como o senhor Alcides pediu, os “achadores” foram recompensados.

Isso já seria o bastante se as coincidências não continuassem. Tempos depois, quando a Padaria Super Pão estava quase pronta em Presidente Venceslau, um pedreiro foi contratado pela família para construir a fornalha. Esse pedreiro, também português, chamado Mateus, contou ao senhor Alcides sobre uma curiosidade que lhe havia ocorrido quando ainda morava em Portugal. Ele e um colega de trabalho haviam encontrado uma garrafa boiando no mar, com uma carta dentro. Entregaram aos destinatários e ainda receberam uma recompensa. A história lhe soou familiar e Alcides perguntou então qual a cor do envelope que estava na garrafa. O pedreiro logo respondeu: azul! Senhor Alcides buscou no cofre da padaria a carta que tinha escrito e lhe foi entregue alguns anos depois por sua mãe, durante uma visita à família. Num mundo tão grande, os dois portugueses – o que escreveu a carta e o que a achou – se encontravam pessoalmente na pequena cidade de Presidente Venceslau.

Família
Alcides Figueiredo era casado com dona Lucília Maçarico com quem teve três filhos: Cristina, Paulo e Luciane. A história do casal começou ainda na infância. Os dois moravam no mesmo vilarejo e já se gostavam desde crianças. O filho Paulo conta que o pai escreveu a primeira carta de amor à mãe aos doze anos de idade. Dona Lucília se casou com Alcides por procuração, em 1955. Ele retornou à Portugal para buscar a esposa e vieram morar definitivamente na cidade venceslauense em 1956.

Com informações da Revista Foco. Texto da jornalista Nathália Oliveira e fotos de Cristiano Fernandes. 

Notícias Relacionadas