Mãe mais idosa de Venceslau tem 113 anos e 5 filhos

Nascida em Jacutinga (MG), Maria de Lourdes Barros é a mãe mais idosa de Presidente Venceslau com 113 anos de idade. Ela foi registrada já com 13 anos de vida, no dia 27 de setembro de 1919. Registrar os filhos quando eles já eram grandes era uma prática comum do passado, e Lúcia – como é conhecida a Maria de Lourdes desde criança – teve a juventude repleta de trabalho. Casada por duas vezes, teve cinco filhos, seis netos e tantos bisnetos e tataranetos que já perdeu a conta.

Ela afirma que o segredo para viver tantos anos é a oração, boa alimentação e, claro, o trabalho. “Quem tem Deus na vida, tem tudo. Oro muito. Agradeço até a água que bebo. E sempre comi bem. Na época do mato comia o que vinha da terra, não tinha essas químicas da comida de hoje”

Histórico
Maria de Lourdes chegou há cerca de 74 anos em Presidente Venceslau, quando seu pai, um boia fria, foi convidado por um colega para vir para o “sertão” paulista. Ela que desde cedo ajudava o pai na roça, em grandes cafezais e plantações de algodão e amendoim em terras mineiras, veio junto com os quatro irmãos tentar uma vida melhor. Aqui chegaram, como ela disse, com a “roupa do corpo”.

Ela acompanhou boa parte da urbanização de Venceslau e conta que passa por lugares hoje, que antes só havia mato.

A vida em Venceslau era parecida com a que levava na roça. Trabalhou por dois anos na fazenda Santa Sofia, com o pai. Tentou por vezes a profissão de doméstica, mas não se deu bem. “Vim do mato e só sei trabalhar no mato. Carregava lenha no lombo e andava um cafezal inteiro o dia todo. Levantava de madrugada, fazia a ‘boia’ e ia pra roça, onde ficava até tarde da noite”, lembra.

O pai ganhou do patrão uma casinha no atual bairro Sumaré, para onde se mudaram e onde mora até hoje, com um dos netos e sua esposa. Neto que foi criado por ela, pois a filha não tinha condições de cuidar do menino. Dona Maria diz que o fato de viver tanto tempo proporciona alegrias, mas também a tristeza da despedia. Morreram pai, mãe, irmãos e filhos. “Enterrei todos, só eu fiquei”, conta.

Hoje o corpo já não aguenta o ritmo, mas a mente ainda quer atividades. “Faz uns 13 anos que ela parou de trabalhar, pois não aguentava mais o trabalho puxado na roça. Mas ela não acostuma. Quer fazer tudo. Nós não a deixamos fazer coisas onde possa se machucar. Ela fica brava”, conta a bisneta, Elioenai de Meira Xavier, de 26 anos, que ajuda a cuidar da bisavó.

Em casa, a mãe mais idosa de Venceslau está sempre ativa. Quer lavar roupa, carpir quintal, mexer com lenha. Não aceita o cansaço que a idade centenária lhe oferece. “Ela sempre teve uma vida agitada. Agora falamos que está na hora de ficar mais tranquila. Muitas vezes acorda cedo, vai no quintal e começa a procurar o que fazer. Tempos atrás até com machado estava mexendo, querendo cortar lenha”, relata Elioenai. “Nós tentamos fazer o que ela gosta. Adora ir na Faive, todo ano a gente leva. Gosta de ver os animais e passear. Só fica receosa com os brinquedos, acha estranho e perigoso”, conclui.

A bisneta diz que nos últimos anos a bisavó tem ficado com dificuldade de ouvir e enxergar, coisas de quem tem 113 anos, mas continua firme. “Ficamos impressionados com a força que ainda tem, eu também não tenho metade da disposição que ela tem. Acho mesmo que a vida saudável que levou conta muito e a tornou forte assim”, fala.

O texto foi produzido pela jornalista Aline Camargo. As fotos são do fotógrafo Cristiano Fernandes para a Revista Foco.

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