Morre, em São Paulo, o jornalista Clóvis Rossi, aos 76 anos

Morreu na madrugada desta sexta-feira (14), aos 76 anos, o jornalista Clóvis Rossi, decano da redação do jornal "Folha de S. Paulo". Segundo o diário paulista, que confirmou a perda nesta manhã, o colunista estava em casa, em São Paulo, em recuperação de um infarto sofrido na semana passada.

Uma das filhas do jornalistas, Cláudia Rossi contou ao jornalista Juca Kfouri que o pai passou mal nesta sexta-feira e não resistiu.

Políticos de diferentes partidos e matizes ideológicas prestaram homenagens ao jornalista ao longo do dia. A colunista Miriam Leitão lembrou a importância de Rossi para o jornalismo do Brasil.

Na "Folha" desde 1980, Clóvis Rossi era colunista e membro do Conselho Editorial do jornal paulista. Escrevia às quintas e domingos. Seu último texto a sair na publicação, na última quarta-feira, trazia uma "satisfação ao leitor": ele esclareceu que esteve ausente da edição de domingo por ter sofrido um "micro-infarto" que o fez ser submetido a duas angioplastias no hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Rossi iniciou a profissão em 1963. Antes da "Folha", trabalhou nos jornais "Correio da Manhã", "O Estado de S. Paulo" (do qual foi editor-chefe) e "Jornal do Brasil". Ainda escreveu para as revistas "Isto É" e "Autoesporte", além das passagens pelo "Jornal da República" e por um blog do espanhol "El País".

O jornalista é autor dos livros "Clóvis Rossi, Enviado Especial, 25 Anos ao Redor do Mundo" (1999) — sobre sua experiência na cobertura internacional, durante a qual foi correspondente em Buenos Aires e Madri — e "O que é Jornalismo" (1980). De acordo com a "Folha", Rossi só não realizou um sonho na profissão: ser setorista da Liga dos Campeões da Europa, a principal competição do continente.

Rossi foi cavaleiro da Ordem do Rio Branco, cavaleiro da Ordem do Mérito (honraria francesa) e recebeu os mais prestigiosos prêmios jornalísticos da América Latina: o Maria Moors Cabot, concedido pela Columbia University, e o conjunto da obra da Fundação para um Novo Jornalismo Iberoamericano. Recebeu este último das mãos do criador da fundação, Gabriel Garcia Márquez.

O diretor de redação da "Folha de S. Paulo", Sérgio Dávila, destacou que o jornalismo brasileiro perdeu "um de seus principais e mais premiados repórteres".

"Certamente o mais experiente. Clovis era admirado por gerações de profissionais por sua independência de pensamento, disposição e rapidez no trabalho e qualidade de cobertura. Vai fazer muita falta", afirmou Dávila.

O velório será realizado nesta sexta-feira, a partir das 16h, no Cemitério Gethsêmani, em São Paulo. O jornalista será enterrado no sábado, às 11h.

Clóvis Rossi deixa mulher, com quem se relacionava há mais de 50 anos, três filhos e três netos.

As informações são do jornal O Globo. 

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